Sorte ou Azar?
Leio
no jornal a notícia de que uma criança morreu. Morreu por azar ou sorte. Tinha
uma pedra no meio do caminho. Uma mãe pobre, negra, desempregada, analfabeta e
grávida em pleno 7 de setembro envolvida pela multidão e agito, curtia
desesperadamente o desfile, pulando, cantando e bebendo. Eis que de repente ela
tropeça, pois no meio do caminho tinha uma pedra.
O
filho que ela carregava no ventre, o filho que não foi planejado, o filho que
nasceria um menino magro, de pele pálida, uma criança franzina, pequena morreu.
Por azar, de uma forma trágica e ridícula, a placenta que o protegia estourou
por um tropeço. E antes da hora, antes dos normais nove meses ele sai,
provocando muita dor.
A
sorte também há. Tinha uma pedra no meio do caminho. O menino belo como a
palmatória na caatinga sem saliva evitou viver na miséria, viver no deplorável,
viver na penúria, viver com aquela mãe irresponsável, viver com pedras no
caminho, “viver sem viver”. Preferiu sucumbir.
E
então ele opta pela morte, mesmo que socorrido por populares e envolvido pela
bandeira brasileira (que honra!), ele opta perder a vida. Talvez, se não
houvesse aquela pedra no meio do caminho, seria um negro com marca de homem
infeliz. Mas, sem ventos e sem calmaria uma mãe chora e um filho morre.
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