quinta-feira, 6 de junho de 2013

Sorte ou Azar?


Sorte ou Azar?

Leio no jornal a notícia de que uma criança morreu. Morreu por azar ou sorte. Tinha uma pedra no meio do caminho. Uma mãe pobre, negra, desempregada, analfabeta e grávida em pleno 7 de setembro envolvida pela multidão e agito, curtia desesperadamente o desfile, pulando, cantando e bebendo. Eis que de repente ela tropeça, pois no meio do caminho tinha uma pedra.
O filho que ela carregava no ventre, o filho que não foi planejado, o filho que nasceria um menino magro, de pele pálida, uma criança franzina, pequena morreu. Por azar, de uma forma trágica e ridícula, a placenta que o protegia estourou por um tropeço. E antes da hora, antes dos normais nove meses ele sai, provocando muita dor.
A sorte também há. Tinha uma pedra no meio do caminho. O menino belo como a palmatória na caatinga sem saliva evitou viver na miséria, viver no deplorável, viver na penúria, viver com aquela mãe irresponsável, viver com pedras no caminho, “viver sem viver”. Preferiu sucumbir.

E então ele opta pela morte, mesmo que socorrido por populares e envolvido pela bandeira brasileira (que honra!), ele opta perder a vida. Talvez, se não houvesse aquela pedra no meio do caminho, seria um negro com marca de homem infeliz. Mas, sem ventos e sem calmaria uma mãe chora e um filho morre.

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